PEREGRINAÇÃO DIOCESANA DE BEJA AOS LUGARES FRANCISCANOS DE ITÁLIA E ROMA.

Há viagens que nos levam a conhecer novos lugares e há peregrinações que nos transformam por dentro. A peregrinação da Diocese de Beja aos lugares franciscanos de Itália foi, para todos nós, muito mais do que uma viagem: foi uma experiência de encontro, de oração, de fraternidade e de renovação da fé.

Neste Ano Jubilar Franciscano, fizemo-nos peregrinos, acompanhados pelo nosso Bispo, D. Fernando Maio de Paiva, levando no coração as nossas alegrias, preocupações, esperanças e intenções. Partimos ao encontro de São Francisco, desejosos de conhecer mais profundamente os lugares onde viveu e rezou, mas sobretudo disponíveis para deixar que o seu testemunho nos tocasse e nos ajudasse a olhar a vida com os olhos do Evangelho.

Ao longo destes dias, fomos descobrindo que peregrinar é muito mais do que caminhar de um lugar para outro. É aprender a caminhar e a rezar juntos, a escutar, a acolher, a partilhar e a reconhecer no irmão um dom de Deus. Nos momentos de oração e de silêncio, nas Eucaristias, nos cânticos, nas conversas e nos pequenos gestos de atenção, fomos construindo uma verdadeira fraternidade, experimentando a alegria de pertencermos à mesma família de fé.

Em Santa Maria dos Anjos, junto à Porciúncula, sentimo-nos próximos das origens da família franciscana. Ali, onde São Francisco viveu com os primeiros irmãos e entregou a sua vida ao Senhor, renovámos o desejo de viver com mais simplicidade, humildade e confiança em Deus. O Perdão de Assis recordou-nos a misericórdia que nos reconcilia com Deus e com os irmãos.

No silêncio do Monte Alverne, deixámo-nos envolver pela beleza da criação e pelo recolhimento daquele lugar santo. Recordando os estigmas de São Francisco, fomos convidados a contemplar o amor de Cristo crucificado e a perguntar-nos até que ponto também nós estamos disponíveis para configurar a nossa vida com a d’Ele.

Em Gúbio, a história do lobo recordou-nos que a paz começa quando vencemos os medos, os preconceitos e as divisões. Também nós somos chamados a construir pontes, a promover a reconciliação e a reconhecer que a fraternidade não conhece fronteiras.

Em Assis, terra de São Francisco e de Santa Clara, sentimos que o Evangelho continua vivo nas ruas, nas igrejas e na memória daqueles que escolheram seguir Jesus com radicalidade e alegria. Diante do Crucifixo de São Damião, escutámos novamente o apelo que mudou a vida de Francisco: «Francisco, vai e restaura a minha Igreja.» Foi um momento particularmente significativo, que nos levou a olhar para a Igreja de hoje e a reconhecer que a sua renovação começa também no coração de cada um de nós.

A oração junto ao túmulo de São Francisco, no Sacro Convento, foi ocasião de recolhimento, gratidão e entrega. Ali confiámos as nossas famílias, as nossas comunidades e a nossa Diocese, pedindo a graça de sermos cristãos mais autênticos, mais disponíveis e mais comprometidos com os irmãos. Em Rivotorto, regressámos à simplicidade das primeiras fraternidades, recordando que a riqueza franciscana não está em possuir muito, mas em saber partilhar tudo com amor.

Em Greccio, diante da memória do primeiro presépio, contemplámos o mistério de um Deus que Se faz pequeno para estar perto de nós. Uma lição profundamente franciscana que nos desafia a acolher Jesus na humildade e a reconhecê-Lo nos mais frágeis, nos pobres e em todos os que precisam da nossa presença.

Em Roma, a visita às quatro Basílicas Papais e à Escada Santa foi também um caminho de oração e de comunhão com a Igreja universal. A participação na Eucaristia na Praça de São Pedro, presidida pelo Cardeal Luis Antonio Tagle, constituiu um momento particularmente marcante desta peregrinação. Sentimo-nos unidos ao Santo Padre, o Papa Leão XIV, e a toda a Igreja, na mesma fé e na mesma esperança. A descoberta de outros lugares emblemáticos da cidade, acompanhados pelo nosso Padre Francisco Molho, que ali se encontra a estudar, completou esta experiência de encontro com a história, a arte e a riqueza espiritual de Roma.

Mas, para além dos lugares visitados, o maior tesouro desta peregrinação foi aquilo que vivemos juntos e que cada um leva agora no coração. Foram os momentos em que rezámos lado a lado, as Eucaristias que nos reuniram, os sorrisos partilhados, a entreajuda, a disponibilidade e a alegria de nos sentirmos irmãos. Foram também os silêncios que falaram ao coração, as emoções vividas diante dos lugares santos e os pequenos sinais de Deus que fomos descobrindo ao longo do caminho.

A presença do nosso Bispo, D. Fernando Maio de Paiva, foi um dom precioso. Agradecemos-lhe profundamente a proximidade, a companhia, as palavras de orientação e as Eucaristias que nos celebrou, tão ricas em ensinamentos e espiritualidade. A sua presença ajudou-nos a aprofundar a experiência de fé e a viver esta caminhada como verdadeira peregrinação diocesana, fortalecendo a comunhão entre todos.

Aos peregrinos da Diocese de Beja e aos irmãos e irmãs de outras dioceses que se juntaram a nós, deixamos uma palavra de profunda gratidão. Cada pessoa trouxe consigo a sua história, a sua fé e as suas intenções, enriquecendo esta caminhada comum. Partimos como peregrinos e regressamos mais conscientes de que somos chamados a caminhar juntos, sustentados pela mesma fé e unidos pelo mesmo amor.

Agora, de regresso às nossas casas e comunidades, permanece o desafio de não deixar esta experiência terminar com a viagem. São Francisco continua a convidar-nos a viver o Evangelho no quotidiano: com mais simplicidade, mais humildade, mais cuidado pelos pobres, mais respeito por toda a criação e maior disponibilidade para sermos instrumentos de paz.

Que esta peregrinação continue a dar frutos em cada um de nós e nas nossas comunidades. Que a memória dos lugares santos visitados se transforme em vida, que a oração se torne compromisso e que a fraternidade experimentada durante estes dias continue a crescer entre nós.

Oh! Como é bom,
como é consolador,
viverem os irmãos
no mesmo amor!

Paz e Bem!
( Ir. Zé Domingos FISFA).