Jubileu 2025: Abertura do Ano Santo na Diocese de Beja

No passado domingo, 29 de dezembro de 2024, assinalou-se, na Diocese de Beja, a Abertura do Ano Santo, sob o lema “Peregrinos de Esperança”, com início na Igreja de Santa Maria da Feira, pelas 16h00m, seguindo-se depois a Procissão até à Catedral de Beja onde continuou a celebração da Eucaristia, com a presença da maioria do clero diocesano e de uma assembleia repleta de fiéis provenientes das mais diversas paróquias da Diocese.

A celebração iniciou-se com uma procissão desde a Igreja de Santa Maria da Feira até à Sé Catedral de Beja. © Diocese de Beja

O prelado, na sua homilia, salientou que, na Solenidade da Sagrada Família, “somos convidados a olhar a família como santuário da vida e berço da fé e também a redescobrir a nossa vocação pessoal, como filhos e filhas de Deus”, de modo a “viver a vida em chave vocacional.”
O Bispo de Beja sublinhou que “Deus chama-nos a todos. Seja no discernimento do nosso caminho ou na vivência de um estado de vida já assumido, o Senhor interpela-nos, chama-nos continuamente”, sendo a Sagrada Família de Nazaré uma “escola de virtudes onde tanto podemos aprender”.

© Diocese de Beja

 “É uma oportunidade para renovar a nossa fé, para fortalecer os laços familiares e para caminhar com alegria e determinação na missão que o Senhor nos confia (…) levando o amor de Deus a todas as pessoas e lugares”, afirmou D. Fernando Maio de Paiva quanto ao Ano Santo.
Algumas das fotografias da celebração:

© Diocese de Beja

No final da celebração foi apresentado o programa relativo às celebrações jubilares na Sé de Beja:

Homilia da Missa da Solenidade da Sagrada Família 2024 – Abertura do Ano Santo

 

Homília para a Solenidade da Sagrada Família – Ano C

Leituras facultativas: 1 Sam 1, 20-22.24-28; Salmo 83 (84); 1 Jo 3, 1-2.21-24; Lc 2, 41-52 29/12/2024

Caríssimos irmãos e irmãs, celebramos hoje a Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, modelo perfeito de fé, de esperança e de caridade. Nesta ocasião especial, damos também início ao Ano Jubilar, um tempo de graça e renovação, no qual somos convidados a caminhar como “Peregrinos de Esperança”, inspirando-nos no exemplo luminoso de Jesus, Maria e José.

Neste dia somos convidados a olhar a família como santuário da vida e berço da fé e também a redescobrir a nossa vocação pessoal, como filhos e filhas de Deus.

  1. Viver a vida em chave vocacional

As leituras de hoje revelam-nos uma verdade essencial: Deus chama-nos a todos. Seja no discernimento do nosso caminho ou na vivência de um estado de vida já assumido, o Senhor interpela-nos, chama-nos continuamente.

No Evangelho, Jesus, aos 12 anos, no Templo, afirma com clareza a centralidade da Sua missão e da vontade do Pai na Sua vida: “Não sabíeis que Eu devia estar na casa de Meu Pai?” Este episódio inspira-nos a viver com um coração aberto ao que Deus nos pede, tanto nos grandes momentos de decisão como nas pequenas escolhas do dia a dia. E este é o caminho certo para ir ao encontro do anseio de felicidade que está no nosso coração – “Felizes os que moram na vossa casa, Senhor”, como cantámos no Salmo – e morar na Casa do Senhor, neste contexto, significa viver unido a Deus, em sintonia com a Sua Santa Vontade.

Para aqueles que ainda procuram o seu caminho, que estão em discernimento vocacional, e falo sobretudo para os jovens, é bom e é normal que, de uma forma ou de outra, esta dinâmica de discernimento, seja vivida com verdade, com autenticidade. Caríssimos jovens, convido-vos, exorto-vos a escutar a voz de Deus com confiança com disponibilidade. Abri os vossos corações a Cristo, não temais!

Para quem já abraçou uma vocação – seja o matrimónio, a vida consagrada, vida religiosa, o sacerdócio ou o laicado – é tempo de redescobrir a alegria do primeiro amor, de recordar e viver a frescura inicial da entrega e de pedir a graça de renovar o entusiasmo que nos levou a dizer SIM. O Senhor não cessa de nos chamar a ir mais longe. Estejamos atentos à Sua voz e disponíveis para a Sua vontade. A atitude de escuta e disponibilidade não terminou no dia em demos o nosso sim.

  1. Aprender com o exemplo da Sagrada Família e com Ana, Mãe de Samuel

A Sagrada Família de Nazaré é escola de virtudes onde tanto podemos aprender.

Maria e José: Ambos acolheram com generosidade a missão que Deus lhes confiou. Maria, com a sua humildade e disponibilidade, ensina-nos a guardar os mistérios de Deus no coração e a meditar sobre eles. A sua presença discreta na vida de Jesus, mesmo na sua vida pública, ensina-nos tanto. José, homem justo e silencioso, é exemplo de coragem, responsabilidade e dedicação. Que José possa ser exemplo para os pais e para os se preparam para ser pais – José o homem que cuida, que protege e que guarda a sua família com tanto desvelo.

Os dois, Maria e José, mostram-nos que ser pai e mãe é mais do que uma condição natural: é uma vocação divina, uma missão de amor que exige entrega e confiança em Deus.

Jesus: Mesmo sendo o Filho de Deus, Jesus cresceu numa família humana, aprendendo de Maria e José o valor da obediência e do respeito. O episódio do Evangelho de hoje revela- nos que a obediência de Jesus aos pais não o impedia de ser livre para cumprir a vontade do Pai. Esta liberdade na obediência é um convite para nós, para vivermos com fidelidade o nosso papel na família, sem nunca perder de vista o horizonte de Deus.

A família é, pois, o primeiro lugar onde se transmite a fé. Este lugar onde se plantam as sementes da vocação, onde se aprende a escutar a voz de Deus e a amadurecer na liberdade. Para os pais, este é um apelo a serem testemunhas vivas da fé e da confiança em Deus. Para os filhos, é um convite à gratidão e ao reconhecimento da família como dom precioso.

A dinâmica própria dos sentimentos que se vivem, que se experimentam no seio da família não devem ser obstáculo ao acolhimento do dom da vocação, à disponibilidade para seguir a vontade de Deus. Na primeira Leitura temos o exemplo de Ana, Mãe de Samuel, que não prende e não se prende ao filho, precisamente porque muito o amava, este amor mais profundo, que permite ir mais longe que a lógica dos apegos sentimentais. Que não me entendam mal – os sentimentos fazem parte do que somos e das relações que as pessoas estabelecem entre si. Mas, por vezes, podem conduzir a uma possessividade que não faz bem aos que amamos. Importa recordar o contexto – Ana era uma mulher casada, mas estéril e que queria muito ser mãe. Pediu insistentemente a Deus o dom de um filho, que lhe foi concedido, mas, generosamente, entrega-o a Deus. Pediu e acolheu com fé o dom deste filho e também com fé o entregou a Deus, deixando-o seguir a sua vocação. E que consequências daqui vieram, o Profeta Samuel que veio a ungir o Rei David e foi da sua descendência que nos foi dado o Messias. E tudo isto requer fé, confiança em Deus, mesmo quando não conseguimos compreender tudo.

Vejamos o exemplo de Maria e José neste episódio que nos é narrado no Evangelho que acabámos de ouvir – Maria e José vão também mais longe que a dinâmica própria dos sentimentos que experimentaram ao perderem o Filho (e por três dias!). E a sua reação diz-nos isso mesmo. “Não sabíeis que devia estar na casa de meu Pai?” – perante esta resposta de Jesus, diz-nos o texto que não entenderam estas palavras de Jesus e mais adiante, diz-nos o evangelista que Maria guardava todos estes acontecimentos no seu coração. Em Maria, vemos esta disposição interior de contemplação do mistério de Deus. Esta atitude que vemos em Maria e também em José e que nos pode ajudar a viver não apenas condicionados pela lógica e dos (vários) apegos, (entre os quais também tantas vezes estão os afetos que podem inclusive ser desordenados, como nos ensina a espiritualidade inaciana) – os afetos, que, se não forem bem integrados, podem condicionar e limitar a nossa liberdade de acolhimento e de adesão ao Amor de Deus e à Sua Santa Vontade.

  1. A nossa identidade: filhos de Deus

Na segunda leitura, São João recorda-nos com ternura: “Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto!” Esta verdade deve encher-nos de esperança e alegria. Não somos apenas criaturas; somos filhos amados, herdeiros da promessa divina.

Esta identidade confere-nos uma dignidade única e desafia-nos a viver de acordo com a nossa filiação divina. Como filhos de Deus, somos chamados a viver na liberdade, na confiança e na entrega, deixando que a nossa vida seja reflexo do amor do Pai.

  1. Esperança: Peregrinos no Ano Jubilar

Neste início do Ano Jubilar, como filhos muito amados de Deus, somos convidados a caminhar como Peregrinos de Esperança. A esperança cristã não é apenas um sentimento ou um mero otimismo; é uma virtude teologal, enraizada na certeza de que Deus é fiel às Suas promessas. Como nos diz o Santo Padre, na Bula de Proclamação do Ano Jubilar, no texto que ouvimos no início desta peregrinação, na Igreja de Santa Maria “A esperança nasce do amor e brota do amor que brota do coração de Jesus trespassado na cruz […] a esperança cristã não engana nem desilude, porque está fundada na certeza de que nada nem ninguém poderá jamais separar-nos do amor divino”

Também nós, mesmo no meio das dificuldades e incertezas do mundo, somos chamados a avançar com confiança, sabendo que Deus nos acompanha. Este Ano Jubilar é uma oportunidade para renovar a nossa fé, para fortalecer os laços familiares e para caminhar com alegria e determinação na missão que o Senhor nos confia.

Caríssimos irmãos e irmãs, inspiremo-nos na Sagrada Família e deixemo-nos guiar pelo seu exemplo. Peçamos a graça de viver plenamente a nossa vocação, de escutar com atenção o que Deus nos pede e de redescobrir a alegria de sermos filhos de Deus. Que as nossas famílias, fortalecidas pelo amor e pela fé, sejam testemunhas vivas da esperança no mundo.

Que Jesus, Maria e José nos acompanhem e intercedam por nós neste Ano Jubilar, para que sejamos verdadeiramente Peregrinos de Esperança, levando o amor de Deus a todas as pessoas e lugares.

† Fernando Paiva, Bispo de Beja

Homilia da Missa do Dia de Natal Sé de Beja 2024

Homília da Missa do Dia de Natal Sé de Beja 2024

Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo,

Hoje, neste dia tão especial, quero começar por vos saudar calorosamente, desejando a todos um Santo e Feliz Natal! Que esta celebração do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo traga paz, alegria e esperança aos vossos corações e às vossas famílias.

O prólogo do Evangelho segundo S. João, que acabámos de escutar, é um dos textos mais belos e de maior profundidade teológica de toda a Sagrada Escritura. Enquanto ontem, na Missa da Noite, meditávamos sobre o nascimento de Jesus na nossa história, hoje, São João leva-nos a contemplar este mesmo acontecimento a partir de uma perspectiva muito mais ampla “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”

Estas palavras lembram-nos o início do Livro do Génesis: “No princípio, Deus criou o céu e a terra.” S. João apresenta-nos Jesus, o Verbo, como aquele que existia desde toda a eternidade, antes da Criação, antes do tempo. Ele é a Palavra eterna pela qual tudo foi feito. Celebramos hoje não apenas o nascimento do Menino em Belém, mas a entrada na história daquele que é a própria fonte da vida e da existência.

O prólogo ajuda-nos a clarificar a nossa concepção de Deus e o que Ele é para nós. Na conceção de Deus própria do cristianismo não há lugar para o panteísmo, que identifica Deus com o mundo, nem para o deísmo, que apresenta Deus como um ser distante e indiferente. Uma leitura em profundidade permite purificar estas e outras conceções erróneas de Deus que se afastam da fé da Igreja que nos foi transmitida pelos apóstolos. O Evangelho proclama que Deus é anterior e independente do mundo criado, mas também profundamente envolvido na sua história.

Como nos recorda a segunda leitura, “Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos profetas”. Ou seja, Deus revelou-se de forma gradual ao longo dos tempos, através dos profetas e da história do seu povo. Lembremos Abraão, Moisés, os Profetas. Mas essa revelação atingiu a sua plenitude na Encarnação do Verbo. “Deus, nunca ninguém O viu. O Filho unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer”. Em Jesus, Deus deu-se a conhecer plenamente. O Deus eterno fez-se pequeno, acessível, próximo.

Contudo, o Prólogo do Evangelho segundo S. João não esconde o drama da rejeição: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” O Verbo feito carne, que é a luz verdadeira que ilumina todo o homem, foi rejeitado por muitos. Este drama da rejeição continua ainda hoje, sempre que escolhemos as trevas do egoísmo, da indiferença ou do pecado em vez da luz de Cristo.

Mas, ao mesmo tempo, o Evangelho traz-nos uma promessa: “A todos os que o receberam, deu o poder de se tornarem filhos de Deus.” E é esta a nossa verdadeira identidade, a razão, o fundamento do nosso valor, da nossa dignidade. O Natal convida- nos a abrir o coração para acolher Jesus, para nos deixarmos transformar por Ele e viver como filhos e filhas de Deus.

Neste prólogo, São João Baptista surge como uma figura de grande relevo. Ele não é a luz, mas veio como testemunha da luz. João Baptista é para nós um exemplo de humildade e missão: apontar para Cristo, preparar os corações para o acolher, viver em serviço total à vontade de Deus.

Finalmente, o prólogo apresenta Jesus como a Luz do mundo. “O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem.” Esta luz não é apenas para um grupo restrito, mas é destinada a iluminar os confins do mundo, como nos recorda a primeira leitura e o salmo. A luz de Cristo quer chegar às periferias geográficas e existenciais e também, a um nível mais pessoal, quer chegar a todas as dimensões da nossa vida (familiar, afectiva, laboral, social, lúdica) e ao que de mais profundo há em cada um de nós.

Nesta luz encontramos verdade, paz e plenitude. Deixemo-nos iluminar por ela! Que ela penetre todas as dimensões da nossa vida: as nossas relações, o nosso trabalho, as nossas escolhas, os nossos sonhos. Que, iluminados por Cristo, nos tornemos também portadores da sua luz, levando-a aos mais necessitados, aos marginalizados, aos que vivem nas sombras da solidão e da dor.

Neste dia de Natal, diante do mistério do Verbo feito carne, peçamos ao Senhor que reanime em nós a fé, a esperança e a caridade. O Verbo eterno tornou-se um de nós, para nos resgatar e fazer-nos participar da sua vida divina.

Que esta Luz ilumine o nosso caminho, transforme os nossos corações e se espalhe pelo mundo inteiro. A todos, desejo um Santo Natal cheio de bênçãos!

† Fernando Paiva, Bispo de Beja

 

Homilia da Missa da Noite de Natal Sé de Beja 2024

Homília da Missa da Noite de Natal Sé de Beja 2024

Caríssimos irmãos e irmãs,

Nesta noite santa, somos chamados a meditar sobre a grandeza e a beleza do mistério que celebramos: o nascimento de Jesus, o Filho de Deus, que veio ao mundo para nos salvar.

Como escreveu em tempos o padre poeta Dinis da Luz:

“… esta noite, entre as noites a divina A noite nos traz

Um clarão de paz Bênção das alturas

Ao mundo às escuras”

A primeira leitura, que escutámos, do profeta Isaías abre-nos o coração para a esperança com estas palavras:

“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz”  

Este anúncio, cheio de beleza e promessa, ecoa também nos nossos dias. Ainda hoje, tantas trevas assombram o nosso mundo. Trevas de ódio, indiferença e egoísmo. Trevas que se manifestam nas guerras que dilaceram os povos, nas relações humanas marcadas pelo uso, abuso e descartabilidade, seja no seio das famílias, nas relações afectivas ou no mundo laboral. Vivemos numa sociedade onde, por vezes, o ser humano é tratado como um objeto a ser explorado e descartado.

Mas é precisamente nestas trevas que somos chamados a olhar para a luz que nos é dada. É a luz que ilumina o caminho para a paz, para a justiça, para o serviço e para a concórdia entre todos os povos. Essa luz não é apenas uma ideia ou um ideal; é uma Pessoa: Jesus Cristo, o Emanuel, o Deus connosco.

Isaías continua dizendo: “Porque um Menino nos foi dado.” Este é o dom supremo de Deus à humanidade. Na fragilidade de uma criança, Deus manifesta o seu poder de amor e a sua proximidade. Este Menino é o Salvador, o Príncipe da Paz, aquele que vem transformar o mundo e os corações.

Diante deste dom, o que nos é pedido? Gratidão. Acolher este Menino com coração aberto, reconhecendo nele o rosto de Deus que se faz próximo. O Natal convida-nos a ser agradecidos pelo amor imenso de Deus que não hesitou em descer até nós, assumindo a nossa condição humana.

Este menino que vem ao nosso encontro convida-nos a refletir acerca da delicadeza de Deus, que sendo Omnipotente, Todo-Poderoso, assumiu a fragilidade da condição humana na pessoa deste Menino. Na relação que estabelece connosco Deus não se impõe, mas expõe-se e de tal modo que fica mesmo sujeito à nossa rejeição.

No Evangelho, ouvimos o relato do nascimento de Jesus. É importante sublinhar que o Natal do Senhor não é um mito ou uma fábula bonita, mas algo que aconteceu realmente, num tempo e lugar concretos. Deus entrou na nossa história, visitou-nos na nossa fragilidade, fazendo-se um de nós. Por isso são explicitamente referidos personagens históricos, César Augusto, o imperador romano e Quirino, governador da Síria. A existência destes personagens é comprovada e confirmada por fontes históricas não bíblicas do mesmo modo que a própria existência de Jesus de Nazaré. Falamos de um evento que está perfeitamente situado na História da Humanidade.

Esta verdade enche-nos de esperança: a nossa história, com todas as suas limitações e feridas, foi transformada, transfigurada em história de salvação. Deus não ficou distante, mas fez-se próximo, tocou-nos, amou-nos, libertou-nos.

Também a nossa história pessoal, a história de cada um de nós, tantas vezes marcada pela fragilidade, pelo pecado, pela incoerência é visitada por esta presença que, se o permitirmos, pode converter o nosso coração, transformando a nossa história pessoal que assim se integra na história de Salvação, que Jesus quer fazer com cada um de nós. Este hoje que cantámos no refrão do salmo, pode acontecer também nas nossas vidas.

O Evangelho refere os pastores como sendo os primeiros destinatários do anúncio do nascimento de Jesus: “Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos”

Assim, estes pobres homens foram os primeiros a receber a grande notícia do nascimento de Jesus: os pastores. Naquela época, os pastores eram vistos como marginalizados, pobres e pouco considerados. No entanto, foram eles que ouviram primeiro o anúncio dos anjos.

Isto revela o coração de Deus: Ele tem um carinho especial pelos pobres, por todos os pobres e por todo o tipo de pobres. Os pobres materiais, que lutam para sobreviver; os pobres espirituais, que se sentem vazios e perdidos; os pobres nas relações, que sofrem com a solidão ou com a falta de amor. O Natal é para todos, mas especialmente para aqueles que mais precisam da luz e do calor de Deus. Por isso a Igreja, no magistério dos Papas S. João Paulo II, Bento XVI e Francisco, refere explicitamente a opção preferencial pelos pobres no sentido de enfatizar a importância e até a prioridade, no agir da Igreja, da atenção aos pobres, segundo os ensinamentos e o exemplo de Jesus

Conclusão

Nesta Noite Santa, deixemo-nos tocar pela luz que brilha na escuridão, acolhamos o Menino que nos é dado, com corações gratos e renovemos o nosso compromisso de levar essa luz ao mundo. Que possamos ser portadores de paz, justiça e concórdia, tal como Jesus nos ensinou, começando pelos mais pobres e necessitados.

Que a alegria do Natal encha as nossas vidas e ilumine os nossos caminhos!

† Fernando Paiva, Bispo de Beja

Mensagem de Natal 2024 | D. Fernando Maio de Paiva, Bispo de Beja

Bispo de Beja alerta para “fenómenos preocupantes de guetização” no Alentejo – Rádio Renascença

 

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Abertura Solene do Ano Jubilar na Sé Catedral de Beja

No próximo dia 29 de Dezembro (Domingo) celebrar-se-á a Missa Solene, na Sé Catedral de Beja, que marcará a abertura do Ano Jubilar. A celebração terá início com uma procissão, às 16h00m, a partir da Igreja de Santa Maria da Feira até à Sé Catedral. D. Fernando Maio de Paiva, Bispo de Beja, que presidirá à celebração, apela à participação de todos os diocesanos, tal como comunicado que segue:

Pastoral do Ensino Superior promove diversas iniciativas para os estudantes

 

A Pastoral do Ensino Superior da Diocese de Beja, tem vindo a acompanhar os jovens universitários na sua vida académica, através de várias iniciativas que começaram no dia 6 de Novembro com a celebração da Bênção do Estudante, missas quinzenais na Capela do Bairro dos Alemães e com temas de formação direcionados para o corpo docente e discente, destacando-se a conferência “Ciência e religião: Uma história de conflito?” pelo Doutor Francisco Malta Romeiras, Investigador auxiliar do Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia (CIUHCT) da Universidade de Lisboa, no dia 27 de Novembro na ESA de Beja.