50 anos Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição

                No dia 27 de setembro de 2026, a comunidade paroquial de Ferreira do Alentejo assinalou os 50 anos da nossa presença, Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC), nesta localidade, desde 26 de setembro de 1976.

Esta data foi comemorada durante a celebração da Eucaristia dominical, sob a presidência do Pe. Francisco da Encarnação. Estivemos presentes e intervimos na liturgia da Palavra e nos cantos da celebração, juntamente com os leigos, e recebemos um ramo de muitas flores, sinal da beleza e do desejo de amar e responder à vontade de Deus.

Foi-nos também dirigida, num poema, uma sentida homenagem que muito nos tocou e alegrou, e que nos fez sentir o espírito de família que tem sido fomentado com os paroquianos, partilhando mutuamente as alegrias e as tristezas, as dificuldades e os sucessos do dia a dia.

Como Superiora da Comunidade, dirigi uma palavra de agradecimento, em nome das Irmãs que aqui estamos e também das que já passaram por Ferreira do Alentejo, pelo acolhimento, respeito e estima que sempre sentimos nesta localidade, desde que aqui estamos presentes e onde procuramos semear o carisma da Hospitalidade, “fazendo o bem onde houver bem a fazer”, lema da Congregação desde as suas origens.

À tarde, tivemos a alegria de contar com a presença de D. Fernando Paiva, Bispo da nossa diocese, que muito nos alegrou ao vir rezar connosco as Vésperas, solenizadas com a participação de um grupo considerável de fiéis. Foi um momento de oração muito gratificante.

De seguida, houve um jantar de confraternização com o nosso Bispo, D. Fernando Paiva, e o nosso pároco, Pe. Francisco da Encarnação. Foi um momento de muita alegria e convívio que nos encheu a alma. Estamos muito agradecidas por D. Fernando ter vindo celebrar connosco. Bem haja!

Fomos solicitadas para Ferreira do Alentejo através do médico Dr. José Trindade Simões, que na altura era presidente do Centro de Saúde, que incluía também o hospital, e do Rev. Padre José Mendes Alcobia. Fomos acolhidas no dia 4 de outubro de 1976, numa Eucaristia presidida pelo Sr. Arcebispo D. Manuel dos Santos Rocha, então Bispo de Beja, coadjuvado pelo Monsenhor Deão José Delgado Pires e pelo Rev. Padre José Mendes Alcobia. As primeiras Irmãs foram duas enfermeiras para o hospital da Vila de Ferreira e uma Irmã suplente que, no tempo disponível, foi professora de Educação Moral, colaborando em atividades paroquiais e trabalhos apostólicos, para além dos necessários cuidados domésticos.

As primeiras impressões foram muito boas, embora as Irmãs tivessem chegado com um certo receio. Depois, foram vindo outras Irmãs por períodos de tempo mais ou menos longos, consoante as circunstâncias e as necessidades do local, como professas, postulantes ou noviças em estágio apostólico. No total, ao longo de todos estes anos, passaram por esta Comunidade de S. Francisco cerca de 50 Irmãs. Foram constatando que, embora fosse um lugar aprazível, era muito difícil trabalhar na pastoral com o povo.

Fomos alargando o nosso trabalho à visita ao domicílio, especialmente aos doentes, e às catequeses, não só na Vila de Ferreira, mas também nas aldeias que pertencem a esta paróquia. Atendíamos muitas pessoas em casa para prestar cuidados de enfermagem. No princípio havia muitas crianças e jovens e, além de acompanharmos o Pároco nas Eucaristias dominicais, dávamos catequese não só às crianças, mas também aos adultos que aderiam. Foram anos áureos, como vemos pelas fotografias, com muitas crianças a fazerem a 1.ª comunhão e atividades com grupos de jovens.

Foi-se constatando uma religiosidade muito própria da população, muitas vezes adversa e resistente à integração na comunidade paroquial para uma vivência cristã comprometida, como Igreja. Era uma vida cristã com pouco fogo e assim decorreram muitos anos.

Dadas estas dificuldades, há alguns anos acolhemos o Banco Alimentar, a que nos dedicamos e cuja procura tem vindo a crescer, no atendimento a migrantes que aqui se têm vindo a instalar. Aceitámos também a Cáritas paroquial, para melhor respondermos às necessidades que vão surgindo, tanto a nível de bens alimentares, vindos do Continente e do Banco Alimentar, como a nível de vestuário, calçado e outros bens materiais, armazenados numa loja social. São muitas as pessoas a bater à porta a pedir auxílio, sobretudo os muitos migrantes que por aqui têm passado.

A missão tem sido adaptada às necessidades de cada tempo. Se no princípio se desenvolvia um trabalho mais assíduo na área dos cuidados de enfermagem e das escolas, agora é bem diferente. Temos agora, como lhe chamamos, a pastoral litúrgica, que consiste na escuta e no acompanhamento de famílias com problemas, que são várias. Dedicamo-nos mais aos pobres dos pobres, como acima referido.

Acompanhamos um grupo de oração semanal, dentro da espiritualidade da Vida no Espírito, com momentos de louvor, escuta da Palavra de Deus e o compromisso de a levar para a vida, e que tem tido uma adesão encantadora.

Acompanhamos também um grupo de leigos, uma fraternidade, que partilha o nosso carisma da Hospitalidade Franciscana e que são membros da Família Secular Franciscana Hospitaleira da Imaculada Conceição (FASFHIC). Dessa grande Família fazem parte várias Fraternidades de leigos, a nível nacional e internacional, que têm uma Irmã Franciscana Hospitaleira como Assistente Espiritual e se reúnem mensalmente em cada localidade para, dentro do possível, partilharem momentos de oração e formação sobre a espiritualidade e o carisma, celebração de datas festivas e significativas, atividades sociocaritativas, nomeadamente no apoio a missões da Congregação mais carenciadas, e outros encontros, a nível nacional e internacional, que completam a riqueza deste dom carismático à Igreja universal.

Continuamos a perceber que a nossa presença aqui ainda é muito necessária, especialmente pela grande dificuldade de as pessoas integrarem na sua vida a vivência cristã e os valores do Evangelho. Embora percebamos que as nossas energias vão faltando, devido aos limites físicos próprios da idade, que naturalmente vai avançando, sentimos ainda um grande desejo de nos dedicarmos a esta missão e estamos disponíveis para servir aqui enquanto Deus permitir, dando o melhor de nós, ainda que seja apenas uma gota de água neste grande oceano de bem-fazer que nos cerca.

Ir. Olinda Fernandes
Superiora da Comunidade