Conventinho das Oblatas, em Odemira, vence Prémio de Reabilitação Urbana
Casa das Irmãs Oblatas do Divino Coração, na Diocese de Beja, foi distinguida com o 1.º prémio do PRUMO
O Conventinho da Congregação das Oblatas do Divino Coração, em Odemira, foi distinguido com o primeiro prémio da 3.ª edição do Prémio de Reabilitação Urbana do Município de Odemira (PRUMO). O projeto de arquitetura é da autoria de Helena Botelho.
A cerimónia de entrega realizou-se na segunda-feira, 5 de outubro, e contou com a presença de duas Irmãs do Conselho Geral da Congregação das Oblatas do Divino Coração, bem como do vereador da Câmara Municipal de Odemira responsável pelo Planeamento, Pedro Ramos, e da presidente da Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitetos, Cláudia Gaspar. Incluiu ainda uma visita à obra vencedora.
Este reconhecimento é também uma alegria para a Igreja que está em Odemira e em toda a Diocese de Beja. A presença das Irmãs Oblatas, que acompanham a vida da comunidade, ganha agora uma nova casa, pensada para a oração, o acolhimento e a vida em comum.
Um sonho que se fez casa
O Conventinho situa-se no centro de Odemira, entre a Avenida Teófilo da Trindade e a Rua Dr. Manuel de Arriaga, e foi concluído em 2026. As Irmãs partilharam o que este lugar significa para a Congregação:
Em Odemira nasce um “CONVENTINHO”
Um convento é, antes de mais, um grupo de irmãs de acordo com uma mesma forma de vida. Por extensão, um convento é o lugar onde essas irmãs vivem essa vida comum.
Com esta breve definição da nossa opção de vida e do lugar onde podemos viver essa vida que escolhemos, queremos falar-vos de um projeto que nasceu em Odemira e onde melhor pudemos realizar o Sonho de Deus em nós.
Desde o começo da estadia da Congregação das Oblatas, nesta Vila, sempre as Irmãs viveram em casas onde trabalham.
Foi um Sonho erguer neste “Concelho Singular, Plantado nas margens do Rio Mira” um espaço que seja um pequeno oásis, onde recuperar as energias àquilo que há de mais íntimo em nós: o Espírito.
Queremos que a “nossa casa”, o “nosso conventinho”, seja lugar de aconchego, sobretudo para repouso do espírito. O seu interior deslumbra a quem aprecia a luz, a floresta e a cor, numa estética de harmonia.
Um lugar de oração, de meditação, de serenidade, de reencontro:
do espírito com o corpo,
das razões com os sentimentos,
do mundo exterior com o mundo interior.
Quando uma jovem se sente atraída a entrar numa comunidade religiosa, inicia um itinerário de uma resposta a um apelo, dando resposta às suas dúvidas e perguntas, até redescobrir o Essencial da sua busca. «A vida religiosa não é um confinamento, mas uma dilatação do coração!»
Irmãs Oblatas, Odemira
05-10-2026
Uma arquitetura serena, que dialoga com Odemira
No coração histórico da vila, uma construção degradada deu lugar a uma pequena casa conventual que recompõe o tecido urbano com discrição e sentido de permanência. O projeto mantém os alinhamentos da rua, acrescenta um piso para se ajustar aos edifícios vizinhos e garante acessibilidade a pessoas com mobilidade condicionada. Recupera ainda a arquitetura tradicional de Odemira, com paredes de cal, telha de barro vermelho e caixilharias brancas, numa linguagem contemporânea e intemporal.
A casa organiza-se em três pisos que correspondem às dimensões da vida conventual: os espaços comuns, o repouso e, no piso superior, os lugares de contemplação e espiritualidade, ou seja, a biblioteca, a sala do capítulo, a capela e o claustro.
A Capela é o coração do projeto. O Claustro é a continuação da Capela. Uma abertura circular na cobertura enquadra o céu e conduz a luz natural até um tanque de água central, em torno do qual se desenvolve uma galeria para caminhar e contemplar. Daí avista-se a vila e o rio Mira, e é ali que arquitetura, paisagem, luz e silêncio se encontram.
Também o Sacrário, elemento central do espaço de oração, foi oferecido por Carlos Nogueira, artista visual e professor, um dos nomes relevantes da arte contemporânea portuguesa. Nascido em 1947, em Moçambique, Carlos Nogueira desenvolve uma obra multidisciplinar que cruza a escultura, o desenho, a pintura e a instalação, marcada por uma particular atenção à luz, à matéria, à natureza e ao espaço.
Ao devolver um edifício vivo ao centro histórico, o Conventinho respeita a memória do lugar sem a imitar e reforça a identidade urbana e cultural de Odemira.
Sobre o prémio
O PRUMO é promovido pelo Município de Odemira, no âmbito do programa Odemira Reabilita, com o apoio da Ordem dos Arquitetos – Secção Regional do Alentejo. Tem periodicidade bienal e distingue obras de reabilitação urbana que sejam exemplo de qualidade arquitetónica e contribuam para a valorização do património do concelho.








