Oblatas do Divino Coração celebraram centenário com Acção de Graças, memória e compromisso

A Congregação das Oblatas do Divino Coração celebrou, no passado sábado, dia 16 de Maio, os 100 anos da sua fundação, numa jornada profundamente marcada pela ação de graças, pela memória das origens e pela renovação do compromisso ao serviço da Igreja e das Dioceses onde estão inseridas.

As comemorações iniciaram-se com a celebração da Eucaristia de Acção de Graças, presidida por D. Fernando Paiva, Bispo de Beja, reunindo as irmãs da Congregação, o Grupo do Divino Coração, vários sacerdotes, colaboradores mais próximos e outros amigos, que ao longo dos anos caminham próximos desta família religiosa profundamente ligada ao Alentejo e à Diocese de Beja.

No início da Missa, a Irmã Teresa Geraldo, Superiora Geral da Congregação, tornou presente o nascimento das Oblatas do Divino Coração, evocando o contexto em que tudo começou. Citando a Primeira Carta a Timóteo — “Tudo o que Deus criou é bom” — afirmou que a celebração daquele dia era também “uma bênção para cada uma das Oblatas e para a Igreja”.
A religiosa recordou a inspiração inicial deixada por D. José do Patrocínio Dias, então Bispo de Beja, que, olhando “a planície e nela a vida”, escutou o apelo de Jesus: “A seara é grande e os trabalhadores são poucos”. Foi esse desafio que, a 15 de Maio de 1926, deu origem ao caminho que conduziria ao nascimento da Congregação.
A Irmã Teresa lembrou ainda que “de 1942 a 1946 este grupo de catequistas, como lhe chamava o povo, percorrem toda a Diocese de Beja, cumprindo o mandato de Jesus: ‘Ide e ensinai’”. Mais tarde, em 1946, seis mulheres iniciariam oficialmente a vida comunitária e celebrariam os seus votos.
Na sua intervenção, a Superiora Geral fez também memória das primeiras seis mulheres que deram origem à Congregação: Mariana Durão, Maria Dionísio, Maria Henriqueta, Maria José Raposo, Maria da Luz Mendes e Beatriz Bandeira de Mello de Gamboa.
Dirigindo-se às irmãs e aos presentes, afirmou que “a memória das nossas fundadoras deve inspirar-nos a criar e recriar, vencer fraquezas e dificuldades, para nos mantermos unidas no mesmo projeto”, acrescentando que este é “um projeto que é nosso, mas não para nós. Um projeto que é para glória de Deus”.
A concluir, destacou a missão das Oblatas dentro e fora dos templos, “na ação pastoral, social e educacional, na atividade litúrgica e nos outros lugares onde as pessoas se movem e comovem”, apelando à continuidade do compromisso evangelizador e ao despertar de novas vocações.

Na homilia, D. Fernando Paiva começou por dar graças pela presença das Irmãs Oblatas, sublinhando a forte ligação da Congregação à Diocese de Beja, não apenas afetiva, mas também institucional. Relacionando o Evangelho proclamado com o carisma das Oblatas, afirmou que aquilo que pedimos ao Pai deve estar em sintonia com o que habita no Divino Coração de Jesus.
O Bispo de Beja recordou ainda uma das primeiras conversas que teve com as Irmãs quando chegou à Diocese. Ao pretender inteirar-se de qual era o carisma da Congregação, recebeu uma resposta que recorda com apreço: “Somos como as oblatas do altar: ao serviço da Igreja, em particular da Diocese de Beja.”

Após a celebração eucarística, os participantes reuniram-se para o almoço festivo, realizado na Casa de Santa Maria, Casa mãe das Oblatas. Num ambiente simples, alegre e profundamente familiar, sentiu-se o acolhimento tão característico das Irmãs Oblatas, marcado pela proximidade, pelo cuidado, pela estética e pela capacidade de fazer todos sentirem-se em casa.
Da parte da tarde, os presentes foram convidados para uma “viagem na história” da Congregação, conduzida pelo Pe. Dr. Luís Fernandes, atualmente pároco de Alvalade e Ermidas-Sado. O momento permitiu revisitar episódios, rostos e acontecimentos marcantes destes 100 anos de missão.
Divididos em 7 grupos, seguiu-se depois uma dinâmica no jardim exterior da Casa, onde os participantes procuraram diferentes textos alusivos à Congregação, retirados do livro “Nascidas no Alentejo”, lendo-os e partilhando depois uma breve síntese em grande grupo.

Num sentimento comum de gratidão cada um regressou às suas casas. Eram 18h da tarde do dia 16 de Maio de 2026.