Dia Mundial do Doente: Entrevista ao Padre José Maria Coelho, capelão do Hospital José Joaquim Fernandes, Beja
O Padre José Maria é capelão do Hospital de Beja desde 2008, pároco de Albernoa, Santa Clara do Louredo e Trindade e Chanceler da Cúria Diocesana. Ao longo de décadas, conciliou serviço pastoral com ensino e formação em teologia e direito canónico, lecionando desde o ensino básico até cursos universitários e para capelães hospitalares. Destacou-se também em múltiplos cargos diocesanos, conselhos e comissões, sempre com um compromisso profundo com a comunidade e o cuidado das pessoas. Reconhecido pelo equilíbrio entre rigor académico e dedicação pastoral, é hoje uma referência no acompanhamento espiritual de doentes e profissionais de saúde.
O capelão do Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, Pe. José Maria Afonso Coelho , considera que o acompanhamento espiritual em contexto hospitalar exige, antes de mais, uma atitude de profunda humanidade, proximidade e respeito pela pessoa concreta que sofre.
“Devemos olhar mais para a pessoa do que para a doença. A pessoa doente é que precisa de apoio”, afirma o sacerdote, que exerce este ministério desde 2008, numa entrevista concedida por ocasião do Dia Mundial do Doente.
Ao longo destes anos, o Pe. José Maria tem acompanhado diariamente situações marcadas pela fragilidade, pela perda e pela dor, sublinhando que a missão do capelão passa por ser presença de esperança, independentemente da fé de cada pessoa. “O apoio humano é para todos, como pessoas que são”, refere, acrescentando que “este é um trabalho universal, não tem fronteiras”.
Segundo o sacerdote, a primeira resposta da Igreja no hospital deve ser sempre humana: “O primeiro sinal que nós damos às pessoas é uma grande humanidade. Jesus Cristo foi perito em humanidade e a Igreja deve ser perita em humanidade.” Escutar, dar tempo e estar ao lado são, para o capelão, dimensões essenciais deste ministério.
Num contexto hospitalar cada vez mais plural, marcado também pelo fenómeno migratório, o Pe. José Maria explica que procura garantir acompanhamento espiritual adequado a todos os que o solicitam. “Aos católicos, dou a assistência própria da Igreja, os sacramentos e tudo aquilo que solicitam. Aos outros, procuro que tenham a assistência de que precisam”, explica, destacando a articulação com representantes de outras confissões religiosas.
Inspirando-se na parábola do Bom Samaritano, tema proposto pelo Papa para o Dia Mundial do Doente (ver mensagem do Papa para 2026 aqui), o sacerdote identifica nesta passagem bíblica um verdadeiro programa de ação pastoral. “Não basta sentir compaixão; é preciso aproximar-se, tocar, cuidar e envolver-se”, sublinha, lembrando que o cuidado deve unir sensibilidade e ação concreta.
O capelão destaca ainda a importância do trabalho em equipa no hospital. “Sinto-me também um membro da equipa. Muitas vezes estou com médicos e enfermeiros para tentarmos encontrar os melhores caminhos para ajudar as pessoas”, afirma, recordando que, em muitas situações, o sofrimento não é apenas físico, mas interior, marcado por conflitos, culpas ou feridas relacionais.
Um dos aspetos que mais valoriza no seu ministério é o acompanhamento no final da vida, defendendo a necessidade de humanizar a morte. “Hoje, a maior parte das pessoas morre numa solidão brutal. Estar ao lado, em silêncio, segurar a mão, é muitas vezes mais importante do que qualquer palavra”, refere.
Para o Pe. José Maria, a presença do capelão é sempre presença de esperança. “A morte não é o fim de tudo. Essa certeza tenho-a e tento comunicá-la, nem que seja apenas pela presença”, afirma, reconhecendo que a fé ajuda a viver este momento com maior serenidade.
Na mensagem final, o sacerdote deixa uma palavra de encorajamento aos profissionais de saúde, reconhecendo as exigências e o desgaste do seu trabalho, e recorda a importância do autocuidado. “Se não nos cuidarmos a nós próprios, somos maus cuidadores”, conclui.
Veja a entrevista completa no nosso canal de YouTube através do link: https://youtu.be/2nAN-S5pDko



