I Fórum Migrações: Igreja quer acolher, proteger e integrar com esperança e realismo

Realizou-se no dia 15 de novembro, em Fátima, o I Fórum Migrações, promovido pela Conferência Episcopal Portuguesa, reunindo cerca de 70 participantes das dioceses do país, entre bispos, agentes pastorais e representantes de instituições ligadas ao fenómeno migratório.
Da Diocese de Beja participaram quatro representantes — agentes pastorais e membros da Cáritas Diocesana — sublinhando o empenho da Diocese em promover uma verdadeira cultura de acolhimento e integração.

O encontro teve como objetivo sensibilizar e formar as comunidades cristãs para os desafios das migrações, bem como refletir sobre respostas pastorais e sociais mais eficazes.

Na abertura, D. José Ornelas, Presidente da CEP, destacou que Portugal vive hoje “dimensões nunca antes conhecidas” de fluxos migratórios, pedindo medidas que garantam segurança, justiça e dignidade às pessoas que chegam. Sublinhou ainda que a integração dos migrantes é essencial para o futuro do país.

Durante os trabalhos, os participantes identificaram várias preocupações presentes na realidade portuguesa:
– maior degradação do discurso público sobre migrantes e normalização de narrativas discriminatórias;
– medo e falta de evangelização que dificultam uma atitude mais aberta nas comunidades cristãs;
– obstáculos no acesso à habitação, saúde e educação;
– dificuldades de articulação entre entidades civis e eclesiais;
– desafios ligados ao reagrupamento familiar;
– barreiras linguísticas e necessidade de formação dos agentes pastorais para a diversidade cultural e religiosa.

Perante estes desafios, o Fórum apontou várias prioridades para a ação da Igreja:
– promover um verdadeiro acolhimento fraterno, superando a lógica de “eles” e “nós”;
– assumir uma comunicação pública clara, capaz de combater preconceitos e desinformação;
– escutar os migrantes, tornando-os participantes ativos na vida comunitária;
– mapear e partilhar boas práticas paroquiais e diocesanas;
– reforçar o trabalho em rede entre Igreja e sociedade civil;
– criar equipas paroquiais de acolhimento, capazes de integrar pessoas de diferentes culturas e expressões religiosas;
– dialogar com o Estado e o setor empresarial para encontrar soluções para a habitação e outras necessidades urgentes.

O encontro terminou com intervenções de Rui Marques e Pedro Góis, que desafiaram os participantes a ser sinais de esperança, promovendo espaços de diálogo, verdade e pensamento crítico, capazes de trazer ao debate público equilíbrio, racionalidade e humanismo.

Leia o comunicado oficial da CEP em: https://www.conferenciaepiscopal.pt/v1/i-forum-migracoes-conclusoes/