Evangelização no digital – De que forma considera que o mundo digital pode ser hoje um espaço privilegiado para a evangelização e para a missão da Igreja?
Se tivermos em conta o número médio de horas que hoje passamos em ambientes digitais, no uso quotidiano dos smarphones, computadores, tablets e se queremos, e de facto queremos, estar próximos das pessoas para anunciar e partilhar o Evangelho de Jesus, não podemos deixar de estar presentes também neste novo areópago. Já em 1990, S. João Paulo II, na encíclica Redemptoris Missio fala dos “novos areópagos” como os ambientes modernos onde a Igreja é chamada a testemunhar e anunciar o Evangelho. O mundo digital é hoje uma verdadeira “praça pública”, onde milhões de pessoas se encontram, partilham ideias e procuram respostas. A Igreja não pode, pois, estar ausente deste espaço. Pelo contrário, deve habitá-lo com uma presença próxima, simples, autêntica, mas também qualificada, que dê testemunho da alegria do Evangelho. E é preciso não apenas estar presente nestes ambientes, mas também usar linguagem apropriada para bem comunicar neste contexto digital. E falo de linguagem no seu mais amplo significado. Anunciamos o mesmo Evangelho que os que nos precederam anunciaram, porém, como sempre a Igreja foi fazendo ao longo da História, é necessário que em cada tempo e em cada contexto cultural se procurem as formas mais apropriadas de comunicar, de anunciar Jesus Cristo, adaptadas aos contextos específicos de cada tempo e de cada cultura. Assim o mundo digital é um lugar privilegiado para semear a esperança e abrir caminhos para uma relação viva com Cristo e com a comunidade cristã.
Importa dizer que evangelização no digital não substitui o encontro pessoal, mas pode ser uma porta de entrada para quem busca, para quem se sente afastado ou tem curiosidade em conhecer. A concluir, julgo importante dizer que o anúncio do Evangelho, também hoje, pede a ousadia de encontrar e experimentar novas formas, novos caminhos, onde também se inclui esta presença no mundo digital. Precisamos ser criativos e ousar trilhar caminhos novos.
Chegar aos mais jovens – Quais são os maiores desafios e oportunidades de comunicar com as gerações mais novas, habituadas a viver e a relacionar-se através das plataformas digitais?
O uso das plataformas digitais não é exclusivo das gerações mais novas, contudo existem especificidades na forma como os mais jovens se relacionam e usam as tecnologias digitais. As novas gerações nasceram num mundo marcado pelo digital, onde a comunicação é instantânea, visual e interativa. O grande desafio está em encontrar a linguagem adequada, que seja fiel à mensagem de Jesus Cristo, mas que possa sintonizar com a forma como os jovens se expressam e se relacionam. É um desafio e é também uma grande oportunidade: nunca foi tão fácil chegar a tantos jovens de forma direta. Mas exige criatividade, autenticidade e escuta. Não se trata apenas de falar para os jovens, mas de falar com eles. Penso que o facto de termos na nossa equipa de comunicação gente jovem é uma mais-valia para podermos chegar da melhor forma aos mais jovens.
Combate à desinformação – Em tempos em que a desinformação circula tão rapidamente, como é que a presença digital da Diocese pode contribuir para transmitir clareza, verdade e confiança sobre os assuntos da Igreja?
A desinformação fragiliza a confiança e cria divisões. Na perspetiva cristã o mal combate-se com o bem, a agressividade combate-se com a mansidão e a mentira combate-se com a verdade. Assim, como nos escreveu o Papa Francisco na sua Mensagem para o LIX Dia Mundial das Comunicações Sociais, é preciso “desarmar” a comunicação, ou seja, como é afirmado em 1 Pe3, 15-16 somos chamados a partilhar com mansidão a esperança que está nos nossos corações. A partir deste pressuposto, a nossa presença nos meios digitais pretende ser humilde, mas firme, porque alicerçada não em nós mesmos, mas n’Aquele em quem pomos a nossa confiança. Temos o propósito de que a nossa presença nos ambientes digitais e a mensagem que pretendemos transmitir se apoie não nos critérios e valores deste mundo, mas na Palavra de Deus e na fé da Igreja. Por outro lado, embora não disponhamos de grandes meios e recursos, pretendemos que a nossa presença nestes ambientes seja regular e constante e não esporádica. Assim, a Diocese, com a sua presença digital, tem a responsabilidade e assume a intenção de oferecer uma comunicação clara, transparente e verdadeira. Através dos canais oficiais, poderemos esclarecer dúvidas, corrigir informações falsas e transmitir com serenidade a posição da Igreja. Ao fazermos isto com rigor e proximidade, poderemos ajudar a criar confiança e mostrar que a Igreja é uma família onde a verdade caminha sempre de mãos dadas com a caridade, ou seja, retomando a anterior frase bíblica, partilhar com mansidão a esperança que está nos nossos corações.
Nova equipa de comunicação – Que expectativas deposita na nova equipa de comunicação da Diocese e de que forma acredita que este investimento pode reforçar a ligação com a comunidade?
A criação de uma equipa, de um Gabinete de Comunicação, é um sinal de que acreditamos na importância da comunicação. Trata-se de uma equipa motivada, a colaborar em regime de voluntariado e animada pelo desejo de estar ao serviço da Igreja. Este grupo de profissionais, trazem competências diversas e complementares. Na composição desta equipa temos pessoas com formação e experiência profissional em diversas áreas da comunicação. Estou confiante que esta equipa irá ser uma mais-valia no sentido de facilitar o fluir da informação quer ao nível interno, como externo. Ou seja, tenho / temos a expectativa que o seu trabalho será fundamental para dar mais visibilidade à vida da Diocese, às comunidades e às pessoas que constroem a Igreja todos os dias. Este investimento pretende reforçar a ligação da comunidade diocesana entre si, nas várias diversas realidades eclesiais em que se integram os nossos católicos, nomeadamente comunidades paroquiais, movimentos, instituições, etc. e também com a sociedade em geral, mostrando uma Igreja que se comunica com qualidade, proximidade e esperança.
Novo site e redes sociais – Que papel terão o novo site e as redes sociais no futuro da comunicação da Diocese e que mensagem gostaria que passassem a quem os visita ou acompanha?
O novo site e as redes sociais serão a porta de entrada para muitos que desejam conhecer melhor a vida da nossa Diocese. Queremos que sejam canais de informação, mas também de inspiração: lugares onde se transmite a beleza da fé, a alegria do encontro e o compromisso com a missão. A mensagem que gostaríamos de deixar é simples: esta é a nossa/vossa casa e a missão que nos une é anunciar Jesus Cristo, fonte de esperança e de vida em plenitude.
Queremos que quem nos visita sinta que a Igreja está viva, aberta, próxima e sempre em caminho com todos. Pretendemos estar mais próximos das pessoas e assim o novo site e as redes sociais serão, para todos os que os visitarem, espaços de encontro, de informação e de comunhão.




