Interpretação
No centro, destaca-se a Bíblia aberta, com as letras alfa e ómega, simbolizando Cristo como o princípio e o fim de todas as coisas e de uma forma especial, da vida dos que lhe pertencem.
Também no centro, mais acima, um ramo de Oliveira. A Oliveira está associada às unções sagradas e, a esse título, ao Espírito Santo. Do azeite – o óleo da Oliveira – vêm os santos óleos e destes nos vem o poder da unção. Os santos óleos estão associados aos sacramentos da Igreja, que nos comunicam a vida divina.
O ramo de Oliveira tem sete folhas e duas azeitonas. As sete folhas simbolizam os sete sacramentos, mas também os sete dons do Espírito Santo, bem como as sete obras de misericórdia espirituais e as outras sete corporais, como caminhos que a Igreja nos ensina a trilhar, para concretizar o amor ao próximo. As duas azeitonas simbolizam as duas naturezas de Cristo e também o duplo mandamento do amor.
A Oliveira está também muito presente na Sagrada Escritura, desde o sinal do fim do dilúvio, até ao Jardim das Oliveiras, lugar de obediência “não se faça a Minha vontade, mas sim a Tua” (Lc 22, 42).E em termos mais identitários, a Oliveira aparece associada a um dos títulos da Virgem Santa Maria, a Senhora da Oliveira, muito presente nas origens e na História da nossa Pátria. Oliveira lembra ainda o nome da terra onde nasci e também os verdejantes olivais, a perder de vista, do território de Beja.
Em suma, no centro do brasão e também no centro da vida do discípulo de Cristo, a luz da Palavra de Deus, que é o próprio Jesus e a força dos Seus Sacramentos, que alimentam as nossas vidas, pela mediação da Sua Igreja.
À direita, o Imaculado Coração de Maria, evoca a certeza, alicerçada nas palavras de Maria, em Fátima, da vitória final do seu Coração e a importância de nos confiarmos à intercessão da Virgem Imaculada. Ao lado, o Castíssimo Coração de São José, envolto por lírios, representa a virtude e a proteção paternal de São José, guardião e patrono da Igreja Universal, bem como padroeiro de Diocese de Beja.
Na parte inferior do brasão, o lema episcopal, inspirado nas palavras de S. Paulo, referência de singular importância no meu caminho sacerdotal. Não nos pertencemos a nós mesmos, mas “quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rom. 14, 8). Daqui decorre o desejo de vivermos, não para nós mesmos, mas para Jesus, que por nós morreu e ressuscitou.
✠ Fernando Paiva